Mercado de Alimentos

Fiscalização de pescados para a Páscoa eleva exigência sobre cadeia do frio no varejo

Agefis inicia operação em Fortaleza e sinaliza intensificação de controles em todo o país.

A proximidade da Páscoa sempre altera o ritmo do mercado de pescados no Brasil. Aumento de demanda, maior giro nos pontos de venda e expansão temporária de oferta criam ambiente sensível para controle sanitário. Em Fortaleza, a Agefis anunciou o início da Operação Páscoa com foco na fiscalização de comércios de pescados. Embora a ação tenha caráter municipal, o movimento costuma se repetir em diferentes capitais e cidades de médio porte durante o período.

O recado é direto: produto altamente perecível, consumo concentrado em poucas semanas e exigência sanitária elevada não permitem improviso. Pescados operam em faixa de temperatura crítica. Pequenos desvios aceleram deterioração, alteram textura, odor e comprometem segurança alimentar. Quando o volume comercializado cresce de forma sazonal, a probabilidade de falhas aumenta, principalmente em estabelecimentos que não lidam com alto giro ao longo do ano.

A fiscalização nesse período se concentra em pontos objetivos: condições de armazenamento, higiene das áreas de manipulação, validade, procedência e manutenção de temperatura adequada em balcões e câmaras frias. Termômetros visíveis ao consumidor, registros de controle térmico e rastreabilidade de origem deixam de ser formalidade e passam a ser critério de autuação.

Para supermercados e peixarias, o desafio não está apenas na exposição ao público, mas na retaguarda. O recebimento do pescado precisa ocorrer com conferência imediata de temperatura e integridade da carga. Caminhões refrigerados que operam com abertura frequente de portas durante rota urbana podem apresentar variação térmica relevante. Se a checagem não for feita na descarga, o problema migra para dentro da câmara do varejista.

Outro ponto crítico é a ampliação temporária de estoque. Antecipar compras para garantir oferta até a Sexta-feira Santa é prática comum. No entanto, aumentar volume estocado sem avaliar capacidade real das câmaras compromete circulação de ar e uniformidade de temperatura. Câmaras sobrecarregadas formam bolsões térmicos, onde o produto pode permanecer acima do ideal mesmo que o sensor principal indique valor adequado.

A operação anunciada pela Agefis inclui visitas técnicas e orientação aos comerciantes. Esse modelo tem sido replicado em outras regiões do país: fiscalização combinada com ação educativa. Ainda assim, autuações são frequentes quando há irregularidades claras. Em um ambiente de redes sociais ativas, qualquer interdição ganha repercussão imediata e afeta reputação do estabelecimento.

No atacado e na indústria de processamento de pescado, o período também exige atenção. Parte do volume comercializado na Páscoa passa por beneficiamento, congelamento e distribuição interestadual. A rastreabilidade precisa acompanhar o produto desde a origem até o ponto de venda. Lotes mal identificados dificultam recolhimento em caso de problema e ampliam risco jurídico.

Do ponto de vista técnico, pescados apresentam característica distinta de outras proteínas. A carga térmica inicial é mais sensível, e o tempo entre captura e estabilização em temperatura adequada influencia diretamente a qualidade final. Se o resfriamento não ocorre de forma rápida e homogênea, a degradação começa antes mesmo de o produto chegar ao varejo. Fiscalizações tendem a observar também condições de gelo, drenagem e limpeza das caixas isotérmicas.

Há ainda o fator energético. Balcões refrigerados operando com exposição constante ao público consomem mais energia quando a reposição é intensa. Durante a Páscoa, portas são abertas com maior frequência, iluminação interna permanece ligada por mais tempo e reposições ocorrem em intervalos curtos. Sem ajuste fino de setpoints e manutenção preventiva adequada, o sistema trabalha no limite.

Para quem atua na gestão de operações frigorificadas, a pergunta não se resume a cumprir exigências legais. Trata-se de estabilidade de processo. Controle térmico bem estruturado reduz perdas por deterioração, minimiza descarte e protege margem. Em períodos de alta demanda, pequenas falhas se multiplicam. Um lote descartado por variação de temperatura representa não apenas prejuízo financeiro, mas ruptura de abastecimento em momento de pico.

A intensificação das fiscalizações às vésperas da Páscoa sinaliza que o poder público reconhece o risco inerente ao período. Não é medida excepcional, mas resposta a um padrão recorrente de aumento de consumo. Para o setor, isso significa previsibilidade. Sabe-se que haverá inspeção mais rigorosa. Cabe ajustar processos antes da visita ocorrer.

Empresas que mantêm registro contínuo de temperatura, com histórico auditável, enfrentam a fiscalização com tranquilidade maior. Sistemas automatizados reduzem dependência de anotações manuais e diminuem margem para erro humano. Em contrapartida, operações que trabalham apenas com verificação esporádica ficam expostas. Quando o fiscal solicita comprovação de controle ao longo das semanas anteriores, a ausência de dados consistentes pesa.

A Páscoa de 2026 ocorre em um ambiente de maior atenção à qualidade e segurança dos alimentos. Consumidores estão mais atentos, e órgãos de fiscalização atuam de forma preventiva. O aumento de demanda por pescados não altera princípios básicos: temperatura adequada, higiene rigorosa e rastreabilidade completa.

Se a sua operação recebesse uma equipe de fiscalização amanhã, os registros estariam organizados? A câmara suportaria aumento de volume sem perder estabilidade térmica? A resposta a essas perguntas define se a Páscoa será apenas período de vendas mais fortes ou também de risco operacional ampliado.

O calendário é conhecido. A pressão sobre a cadeia do frio também. Antecipar ajustes técnicos e revisar rotinas de controle evita improviso de última hora. No mercado de pescados, qualidade não se recupera depois que se perde. E fiscalização não avisa o dia exato da visita.

Fontes: Prefeitura de Fortaleza - https://www.fortaleza.ce.gov.br/noticias/agefis-inicia-operacao-pascoa-com-fiscalizacao-em-comercios-de-pescados

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