
Refrigeração
O papel da cadeia do frio nas metas ESG que poucas empresas estão mensurando
Governança, rastreabilidade e risco operacional como parte do “G” do ESG.

Nos últimos anos, a agenda ESG passou de discurso aspiracional para critério objetivo de avaliação de risco. Investidores, clientes e órgãos reguladores deixaram claro que não basta declarar compromissos ambientais ou sociais. É necessário demonstrar controle operacional, rastreabilidade e capacidade de resposta a falhas. Nesse contexto, a cadeia do frio ocupa um papel mais estratégico do que normalmente se reconhece.
Quando se fala em ESG, a maior parte da atenção ainda recai sobre emissões, energia renovável e eficiência energética. Esses temas são relevantes, mas não esgotam a discussão. O componente de governança, o “G” da sigla, está diretamente ligado à forma como a empresa controla processos críticos, documenta decisões e reduz riscos sistêmicos. E poucas infraestruturas expõem isso de forma tão clara quanto sistemas de refrigeração industrial.
Dados da FAO indicam que cerca de 13% dos alimentos produzidos globalmente são perdidos antes de chegar ao varejo, e falhas na cadeia do frio estão entre as principais causas dessas perdas em produtos perecíveis. Esse desperdício não é apenas um problema ambiental. Ele representa energia consumida sem retorno, água incorporada inutilmente e aumento indireto de emissões ao longo de toda a cadeia produtiva.
No Brasil, onde alimentos, bebidas e fármacos dependem fortemente de refrigeração contínua, a governança da cadeia do frio também tem implicações regulatórias diretas. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária exige registros regulares e confiáveis de temperatura para diversos tipos de produtos, enquanto o Ministério da Agricultura e Pecuária estabelece critérios específicos para armazenamento e transporte de proteínas e derivados. Em auditorias, não basta afirmar que a temperatura foi mantida. É preciso comprovar, com histórico consistente e rastreável.
Esse ponto ganha ainda mais peso no comércio internacional. Exportadores brasileiros enfrentam exigências crescentes de rastreabilidade térmica, especialmente em mercados como União Europeia e Estados Unidos. Relatórios incompletos, lacunas de dados ou inconsistências operacionais são frequentemente citados como fatores de risco em processos de certificação e habilitação sanitária.
Além disso, a cadeia do frio também influencia indicadores financeiros e de governança que muitas empresas ainda subestimam. Perdas recorrentes por instabilidade térmica afetam margens, aumentam custos de seguro e elevam o risco operacional percebido por investidores. Em relatórios ESG mais maduros, esse tipo de risco já começa a aparecer associado ao controle de processos críticos e à qualidade da gestão.
Outro aspecto relevante é a previsibilidade. Sistemas que operam apenas de forma reativa, respondendo a alarmes pontuais, tendem a acumular fragilidades ao longo do tempo. Já operações que acompanham dados históricos, comparam períodos equivalentes e ajustam parâmetros com base em evidências demonstram maior maturidade de governança. Essa diferença raramente aparece em discursos institucionais, mas fica evidente em auditorias técnicas e análises de risco.
Nesse sentido, a cadeia do frio deixa de ser apenas infraestrutura de apoio e passa a funcionar como um termômetro da governança operacional. Ela mostra se a empresa conhece seus próprios processos, se consegue documentar decisões e se está preparada para responder a questionamentos externos com dados, e não apenas com narrativas.
Na Polus, essa leitura orienta o desenvolvimento das soluções. O foco não está apenas em monitorar temperatura, mas em transformar dados operacionais em histórico confiável, comparável e auditável. Relatórios automáticos, acompanhamento contínuo e análises baseadas em comportamento real das câmaras ajudam empresas a fortalecer não apenas eficiência, mas também governança e conformidade.
À medida que a agenda ESG evolui, a tendência é que esse tipo de controle operacional ganhe ainda mais relevância. Menos como vitrine e mais como base. Empresas que tratam a cadeia do frio como ativo estratégico avançam não só em sustentabilidade, mas em gestão de risco, transparência e credibilidade junto ao mercado.
Fontes
FAO – Food Loss and Food Waste in the Food Supply Chain
https://www.fao.org
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA)
https://www.gov.br/anvisa
Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA)
https://www.gov.br/agricultura
Notícias & Insights



