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Refrigeração
Festas de fim de ano colocam a cadeia do frio à prova no Brasil
O aumento do consumo de carnes em dezembro pressiona frigoríficos, centros de distribuição e câmaras frias em todo o país.
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Dezembro é, historicamente, um dos meses mais intensos para a cadeia de alimentos no Brasil. À medida que se aproximam o Natal e o Réveillon, o consumo de carnes bovinas, suínas, aves e produtos processados cresce de forma consistente, impulsionado por confraternizações familiares, eventos corporativos e maior circulação no varejo. O que aparece para o consumidor como abundância nas gôndolas é resultado de uma operação logística que passa a funcionar em ritmo máximo, especialmente no que diz respeito à refrigeração.
Dados do setor ajudam a dimensionar essa pressão. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) indica que o consumo interno de aves e suínos costuma crescer entre 8% e 12% no mês de dezembro, em comparação à média dos meses anteriores. No caso da carne bovina, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) aponta que cerca de 30% do volume anual exportado se concentra no último trimestre do ano, o que significa que o pico de demanda do mercado interno ocorre ao mesmo tempo em que a cadeia atende volumes elevados de exportação.
Esse movimento se espalha por toda a cadeia. Frigoríficos ampliam o ritmo de abate, centros de distribuição passam a operar com estoques mais elevados e o varejo reforça a armazenagem para evitar rupturas durante as semanas de maior consumo. Em condições regulares, a taxa média de ocupação de câmaras frias industriais gira em torno de 70% a 75%. No pico de dezembro, operadores do setor relatam que esse índice pode alcançar 85% a 95%, reduzindo significativamente a margem operacional.
Com níveis de ocupação mais altos, a operação se torna mais sensível. O giro de produtos aumenta, as janelas de carregamento e descarregamento se encurtam e a frequência de abertura de portas cresce. Segundo relatos técnicos compilados por entidades do setor de alimentos e logística, essas janelas podem ficar até 20% mais curtas em períodos de pico, exigindo maior precisão no controle e no acompanhamento das condições de armazenamento.
Esse cenário expõe um risco que nem sempre é visível fora da operação. Quanto maior a pressão sobre a cadeia do frio, menor a tolerância a desvios. Variações térmicas fora do padrão, ciclos de operação mal ajustados, falhas pontuais de controle ou atrasos na identificação de anomalias passam a ter impacto direto sobre a qualidade e a segurança dos produtos armazenados.
Os efeitos dessas falhas são mensuráveis. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), por exemplo, estima que cerca de 14% dos alimentos produzidos globalmente são perdidos entre o processamento, o armazenamento e a distribuição, sendo a cadeia do frio um dos pontos críticos. Já no Brasil, levantamentos citados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) indicam que perdas associadas a falhas de conservação térmica podem representar entre 2% e 5% do valor total do produto, porcentagem que tende a crescer justamente em períodos de maior pressão operacional, como o fim do ano.
Em um momento em que volumes são maiores e margens ficam mais apertadas, esses números deixam claro por que dezembro funciona como um teste de robustez da cadeia do frio. Operações que atravessam esse período sem perdas relevantes, não o fazem por acaso. Normalmente contam com maior visibilidade sobre o comportamento térmico das câmaras, registros confiáveis e capacidade de agir rapidamente diante de qualquer desvio.
Nesse contexto, a gestão da refrigeração deixa de ser apenas reativa. Monitoramento contínuo, leitura clara dos dados de temperatura ao longo do dia e acompanhamento do desempenho dos equipamentos ajudam a reduzir riscos quando tudo acontece ao mesmo tempo. Mais do que eficiência, trata-se de previsibilidade em um período crítico para o faturamento e para a reputação das empresas do setor.
Quando as festas de fim de ano passam, o que fica é a constatação de que a cadeia do frio é uma das infraestruturas mais silenciosas e, ao mesmo tempo, mais estratégicas do país. Ela sustenta o consumo, protege a qualidade dos alimentos e garante segurança sanitária justamente no momento de maior demanda.
Sua operação está preparada para os períodos em que a cadeia inteira opera no limite? Entre em contato com a Polus e entenda como acompanhar, prevenir desvios e garantir estabilidade na cadeia do frio nos momentos mais críticos.
Fontes
Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC)
Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA)
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